Antes de 1980, a eletrônica era um hobby. Ainda estudante, em Porto Alegre, numa feira de ciências da escola em 1978, apresentei um projeto que ficou conhecido como o "Cabeleira". Uma unidade logica aritmética (ALU) de 4 bits discreta empregando centenas de fios e 30 circuitos integrados simples. Eram tantos fios que originou o apelido. O sonho era fazer um computador completo pois os microprocessadores conhecido da época (8008 da Intel e 2650 da Signetics) eram como caixas pretas e a emoção estava em criar o computador e não em usar um pronto. O "pushing motivation" sempre foi dominar a tecnologia e criar soluções novas e melhores.
Importante lembrar que, naquela época, não existiam computadores pessoais. As informações técnicas sobre os circuitos integrados eram conseguidas com dificuldade, através de amigos que trabalhavam em empresas onde podiam fazer fotocópia de páginas dos famosos Data Books. Os circuitos integrados eram raros de achar. O "Cabeleira" custou pouco mais de CZ$2.000,00 na moeda da época. Isso equivalia a cerca de 1,5 salários minimos que era uma fortuna para este tipo de "investimento". Minha mãe acreditou que seria importante para meu futuro e fez o sacrifício de tirar o dinheiro do orçamento de casa. Na época meu pai havia sofrido grave acidente e contávamos as moedas para comprar pão.
Hoje um microcontrolador de R$1,00 é muito mais poderoso, mas não dá a quem o usa a mesma experiência e conhecimento que conquistei.
Os projetos mais sérios em eletrônica começaram em 1981, com uma CPU discreta (novamente feita com CIs TTL, porém mais sofisticados) que meu amigo Cláudio Richter e eu sonhávamos depois aperfeiçoar e fazer um computador real. Sem dinheiro para instrumentos eletrônicos sofisticados, nós fizemos a depuração do circuito apenas analisando os sintomas e estudando o funcionamento dos CIs. Capacidade dedutiva, análise metódica e soluções criativas substituiam instrumentos e recursos caros. Uma experiência que foi crescendo a cada novo projeto.
A partir de 1984, os projetos aumentam em número. A criatividade estava sempre guiando cada um deles. Cito um servidor de impressoras numa época em que não era comum o uso do padrão Ethernet; um analisador de radiografias para pesquisa de osteoporose; uma linguagem de processamento paralelo (precursora de simuladores e sistemas de inteligência artificial); uma máquina furadeira usando posicionamento angular; um sistema de captura e analise de imagem para programação automática de máquina CNC; um processador gráfico para uso em equipamentos médicos; controladores de step-motors; CLPs e IHMs para uso industrial; painéis eletrônicos gráficos multi-coloridos e sistemas de votação (um deles está em uso no plenário do Senado Federal); sistemas de coleta de dados empregando wireless (numa época em que não existia um padrão para isso e usando sinais de rádio de longa distância); e outros.
Todos estes projetos foram feitos a partir do zero. Não eram aperfeiçoamentos ou empregando idéias de modelos já existentes. Muitas soluções originais foram criadas. A furadeira angular, por exemplo, foi até motivo de patente. Na época era difícil fazer uma mesa X/Y alinhada com grande precisão devido aos limites das máquinás-ferramenta disponíveis. Então inventei um modo de posicionamento usando apenas dois eixos (uma mesa giratória e um braço parecido com toca-discos). Só precisava de um ponto de alinhamento (distância entre centros). A precisão era dada pelos motores e mecanismos de redução, os erros eram compensados matematicamente e a solução final permitu construir uma máquina de alta precisão com custo quase metade do método cartesiano convencional.
Em 1998, a AEE Engenharia Eletrônica surgiu, logo após mudar para Joinville, SC. Novos projetos foram desenvolvidos como jiga de teste automatizada para placas eletrônicas (empregando cama-de-pregos em um design inovador que evitou uso de fios entre os probes e a placa de controle); painéis eletrônicos com imagem em tempo real (podia-se assistir televisão em um painel de LEDs, tecnologia que na época ainda não existia no Brasil); sistemas de sensoriamento remoto empregando GPS e GPRS; coletores de dados com análise de imagem em tempo real; sondas wireless com sensores para operar em temperaturas abaixo de -40°C; kits de desenvolvimento em FPGAs.
Entre 1999 e 2002, a empresa ficou congelada durante o tempo em que fui contratado pela Insight Electronics PLC, uma empresa americana, para abrir uma filial de Design House no Brasil. Numa época em que a "bolha digital" havia estourado contribuí com a empresa atuando como XFAE, ampliando o número de clientes para FPGAs e CPLDs da Xilinx no Brasil. Escrevi artigos técnicos e ministrei cursos de VHDL. Diversos projetos foram desenvolvidos para clientes da Insight Electronics gratuitamente, como parte do suporte oferecido pela empresa. Um dos melhores foi a substituição de um chip ASIC usado em bombas de combustíveis por CPLDs, abrindo um mercado de independência de CIs dedicados.
Os projetos seguintes foram tecnologicamente mais ambiciosos. Um analisador de imagens em tempo real para reconhecer o grau de maturação na colheita de café; um sistema de sensoriamento remoto usando GPS, GPRS e um mesh de sensores wireless; um CLP para controle industrial muito robusto e eficiente; um WWCU, que controla os sistemas de água e anti-freezing para aviões; e uma máquina selecionadora de grãos empregando LEDs e processamento de imagem em tempo real.
Em todos os projetos executados, sem exceção, sempre foi aplicada alguma idéia inovadora para reduzir custos e garantir a qualidade. O WWCU, por exemplo, emprega FPGA e CPLD numa arquitetura auto-supervisionada que garante o funcionamento mesmo em condições extremas. Este equipamento passou em quase todos os testes do INPE na primeira tentativa, falhando apenas na emissão de RFI em uma faixa muito estreita que foi resolvido com um filtro adicional.
No projeto de máquina selecionadora foi desenvolvido um sistema de auto-refrigeração, inovador, que permite montagem da eletrônica em gabinetes herméticos, evitando a entrada de pó por não exigir admissão de ar externo.
Tudo isso é fruto de mais de 30 anos de aprendizado que continua ainda a medida que novas tecnologias tornam-se disponíveis.
Os clientes da AEE Engenharia Eletrônica recebem projetos com soluções criativas e muitas vezes originais que aumentam a vantagem contra os competidores, empregando tecnologia atual, com baixo custo de produção e atendendo às normas exigidas nas aplicações. |